Violência psicológica: a alma ferida

30/06/20 | postado por: Virginia Pinheiro

 

É grande o número de mulheres vítima de violência psicológica por parte de seus companheiros. Na maioria das vezes, elas sofrem em silêncio, já que o medo e a vergonha as impedem de falar sobre o assunto.

Socialmente, a violência psicológica é considerada um problema menor, em muitos casos, a própria vítima não a reconhece como uma agressão. Assim como a violência física, a violência psicológica também é capaz de provocar ferimentos profundos, não no corpo, mas na alma, o que a torna difícil de ser comprovada e faz com que a vítima desse tipo de ação se cale e sofra em silêncio.

 

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Violência psicológica é toda ação ou omissão que causa dano para a identidade, para a autoestima e para o desenvolvimento da pessoa, como por exemplo, o abuso verbal constante na forma de insulto, de humilhação, de ameaça, de ridicularização, de desvalorização e de ironia. Também pode se manifestar na falta ou na manipulação do afeto, em ameaças, chantagens e omissão de carinho.

A vítima pode vir a sofrer de depressão, angústia, ansiedade, medo, Síndrome do Pânico, distúrbio do sono, vergonha, baixa autoestima, autoflagelo, abuso de álcool e de drogas.

A mulher que sofre esse tipo de violência tende a minimizá-la, achando sempre que a “culpa” é sua, que “não é bem assim”, que “ele” não quis dizer exatamente o que falou, que é “ela quem está exagerando”… Justifica as palavras de seu companheiro dizendo: “Coitado, ele está estressado, ele falou por falar” etc. etc. etc. Esse tipo de reação por parte da vítima acontece porque a violência psicológica é uma ação desleal e covarde, na qual o agressor vai fragilizando emocionalmente a vítima até que esta fique totalmente aniquilada e insegura quanto aos seus próprios sentimentos, pensamentos e ações.

Preste atenção em você mesma, observe seus sentimentos e responda com sinceridade como você se sente em relação ao seu companheiro: Você se sente infeliz a maior parte do tempo? Sente ansiedade e angústia constante? Considera-se inferior aos outros? Sente medo de expressar as suas opiniões para o seu companheiro? Sente que a sua vida está paralisada e não consegue reagir? Sente uma necessidade quase que obsessiva de agradar e ter a aprovação do seu companheiro o tempo todo?

Se você acha que é vítima de violência psicológica, é importante procurar ajuda de um profissional. Essa é uma situação muito delicada e você, com certeza, vai precisar da escuta profissional para lhe ajudar a procurar meios de resgatar a sua saúde emocional.

 

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14 Comentários:Violência psicológica: a alma ferida
  1. maria lucia

    voces tam alguma forma deste tipo de ajuda gratuita aqui na Baixada santista. origada

    • Virginia

      Olá Maria Lucia, procure informação nas universidades da Baixada Santista, com certeza elas devem possuir centros de atendimento psicológico gratuito à população. Conte sempre com a gente, bjs

  2. Sonia Nordqvist

    Virginia, que legal esse post! Sua colocação foi sensível, abrangente. Tenho certeza de que vai ajudar muita gente! Mandou muitíssimo bem! Bjs

    • MCelia

      Oi , Sonia , a Virginia mandou muito bem nesse post , né ? Tambem adorei ! Bjs

  3. marcia oliveira

    gostei muito dest post, infeslismente me identifico,mas não sei o q fazer. moro no sul da Bahia municipio de Prado e gostaria de saber se existe este tipo de ajuda por aqui, muito agradecida.

    • Virginia

      Oi Marcia, se na sua relação você identificou alguma espécie de violência psicológica, é aconselhável que você procure ajuda. Tente saber através da internet se existe na sua cidade algum serviço de psicologia, se não encontrar, tente procurar esse tipo de atendimento fora da sua cidade. Mas, olha Marcia, não se desespere, mantenha a calma, respire fundo e procure manter a consciência clara da situação. Se você sentir muito angustiada e triste, procure conversar com alguma amiga, isso sempre alivia a dor. Não desanime, coragem e conte sempre com a gente. Grande abraço

  4. lisbeth

    É possivel processar a pessoa por danos psicologicos e morais?

    • MCelia

      Depende, Lisbeth…Você teria que procurar um advogado e explicar o que aconteceu. Dependendo do caso pode ser que sim. Bjs

  5. adilma. alves

    Eu estou sainndo de uma relacao de 25 anos estou com depressao muito medo do escuro e dor de cabeca a seis meses preciso muito de ajudda

    • Virginia

      Querida Adilma, procure ajuda já! Se você não tem condições de pagar um terapeuta informe-se sobre os atendimentos psicológicos gratuitos oferecidos pelas universidades que possuem curso de psicologia. Se você mora em São Paulo, SP, entre no site da USP e veja como você pode participar desse tipo de atendimento http://www5.usp.br/servicos/clinica-psicologica/ Se você não mora em SP, pesquise as universidades da sua cidade ou cidades próximas.
      É importante que você receba ajuda para conseguir elaborar e superar as dores emocionais que te afligem.
      Não desanime Adilma, toda vez que você sentir medo procure mentalizar-se envolta por uma luz suave e protetora. Você é uma mulher forte e corajosa que vai superar essa fase da sua vida.
      Um abraço solidário e carinhoso para você.

  6. Ruth Fialho Dias

    Muito ótimo esse post. Fui casada 10 anos e sofria violência psicológica. Sofria de depressão, angustia, ansiedade e baixa autoestima. Porém, como no texto justificava as atitudes do meu ex. Quando ele pediu o divórcio, porque estava me trocando por uma mulher mais jovem e bem sucedida profissionalmente, me senti ainda pior. Tive síndrome do pânico, uma forte depressão, voltei a fumar e comecei a abusar do álcool. Graças a Deus busquei ajuda e faço terapia já há 5 anos. Estou MUITO melhor, mas as sequelas ficam. Obrigada!!

    • Virginia

      Oi Ruth, o número de mulheres que vivem sob contante abuso psicológico é enorme e, na maioria das vezes, muitas não conseguem lutar contra isso pois carecem de informação a respeito do assunto É preciso tratar essa questão com mais atenção pois ela é tão destrutiva quanto a violência física praticada contra as mulheres. O seu relato mostra o quanto você deve ter sofrido com essa forma abusiva de relacionamento, mas tenha certeza que o tempo, e a terapia, te ajudarão a superar essa fase da vida… e como diz o ditado: “o que não me mata só me fortalece”.
      Abraço grande

  7. Júlia Albuquerque Vieira

    Virginia Pinheiro,
    Parabéns pela coragem de postar um tema tão actual (infelizmente) sempre pensamos que são coisas do passado , mas cada dia mais se vai sabendo de assuntos destes, as redes sociais e a abordagem em reportagens (boas) na televisão têm trazido a lume cada dia mais este horror de vida, tiveram também essa coragem jornalistas da SIC no Programa “E se fosse consigo” em que abordavam todo o tipo de violência (crianças, idosos, casal e namorados) dando a cara uma das nossas mais conceituadas jornalistas Conceição Lino (se estiverem interessadas podem vê-lo) .
    Em Portugal a morte à mão de maridos/companheiros é flagelo a que muitas mulheres (de todas as faixas de idade) têm sucumbido e não pensem que tem a ver com classe baixa, nada disso, é transversal.
    A violência verbal é quanto a mim a mais difícil de ser participada, regra geral eles até são super bem aceites na sociedade pois fazem o papel de bom rapaz/homem. Quando se conseguem libertar, regra geral são perseguidas. Temos por cá o Apoio à Vitima (APAV) e outras figuras da Ordem. Situações terríveis que muitas mulheres sofrem caladas. Mais uma vez parabéns, tudo de bom para si Maria Celia e toda a equipa fantástica do Viva.
    Excelente a diversificação de temas a que me/nos habituaram.
    Beijos
    Júlia Albuquerque Vieira

    • MCelia

      Oi,Julia, você, como sempre, nos presenteando com comentários ricos em informações de como são as coisas ai em Portugal, infelizmente o assunto é triste , mas é interessante saber como são as coisas por ai. Um beijo grande para você